Eu estava na caverna
Diante das sombras
Com as quais passei a conviver
Nas quais passei a crer
Até que uma alva luz em forma humana
Oposta às sombras emana
E me leva a um passeio tão tépido e confortável
Quanto a carne humana
Quanto o útero materno
Essa luz era uma fada
Com olhos de Hades
E carne de querubim
Com um tridente talhado no braço de marfim
Eu era insone e solitário cavaleiro sem sua espada ardorosa
Eu era Moisés diante da mão leprosa
E tinha medo da chama que não queimava
Me deixei levar pela fada
Fui carregado pelas mãos dessa afrodite
E nas espumas do mar me lancei sem limite
Mas Atena me emprestou seu escudo
E ouvi o pio da coruja que pousou em minha mente
Temendo, fugi repentinamente
Levando comigo um pouco da luz que me surgiu antes do entrudo
(Alberto Marques)

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