
domingo, 20 de junho de 2010
PARA AQUELA QUE DÁ LUZ

sexta-feira, 23 de abril de 2010
FOGO E GELO

- Devora-me!
... Disse ela
Febril como carne fresca
Pesada como a chuva
Desejo hipnótico
Visão pitoresca e turva
Grandes lábios
Desejo de senti-los
- Meu corpo arde em chama e te chama.
Entre os seus dedos
Pelos e cheiros
Ela se derrama
Cai no chão de fogo e gelo
Etremece-se
Num frêmito desejo
Seu suor se expõe num lampejo
pra matar sua vontade
Não há preço
Pensou ela:
O fim está desde sempre no começo.
domingo, 11 de abril de 2010
DENÚNCIA
Meus olhos são pêndulos
Que atônitos se deparam
Com a verdade
Com a vida real
Refletindo o leste, o oeste, o norte e o sul
Mostrando a minha mente
De uma maneira mais potente
Uma realidade mais viril
(Alberto Marques)
quinta-feira, 25 de março de 2010
O MUNDO NA BOCA
Suma daqui
Suba ali no sambaqui
Você quer galgar
Até sua cabeça bater no céu
E criar galo
Quer aparecer que nem Xexéu
Quer mostrar o falo
Sai pra lá
Vá procurar ouro em Sabará
Você quer o mundo na boca
Mas não tem garganta pra engolir
Vá com muita calma
Não queira brincar de ser Peri
Vá catar dendê na palma
Vá embora
Procurar diamante em Angola
Não se limite ao que o povo fala
Vai acabar torto e manquitó
Você acha demais e não sabe nada
Se ocupe, vá fazer filó
Não queira cair morto na estrada
quarta-feira, 10 de março de 2010
AVIDEZ

Espremo a fruta
Entre os meus dentes
Sinto meus lábios úmidos e ardentes
O sumo é o sêmen
Que sacia a minha fome
Infame ato
De natureza tão pura
Minha saliva pastosa pede pasto
Minha boca não é casta
Incauta, suga e sente prazer
Quero a maciez e o sabor
Quero essa carne na minha boca a se derreter
Meu estômago se enseba
Sinto uma fome cachorra
Sinto a fome de Adis-Abeba
Meu esfíncter pede borra
(Alberto Marques)
ENDÍ
EMBRIOLOGIA
PERIPÉTEIA
Eu estava na caverna
Diante das sombras
Com as quais passei a conviver
Nas quais passei a crer
Até que uma alva luz em forma humana
Oposta às sombras emana
E me leva a um passeio tão tépido e confortável
Quanto a carne humana
Quanto o útero materno
Essa luz era uma fada
Com olhos de Hades
E carne de querubim
Com um tridente talhado no braço de marfim
Eu era insone e solitário cavaleiro sem sua espada ardorosa
Eu era Moisés diante da mão leprosa
E tinha medo da chama que não queimava
Me deixei levar pela fada
Fui carregado pelas mãos dessa afrodite
E nas espumas do mar me lancei sem limite
Mas Atena me emprestou seu escudo
E ouvi o pio da coruja que pousou em minha mente
Temendo, fugi repentinamente
Levando comigo um pouco da luz que me surgiu antes do entrudo
(Alberto Marques)



